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Reportagem Cristiane Komesu e Vanessa Portes

Cordas, chicote e coleira

Por Cristiane Komesu e Vanessa Portes

Foto: Thiago Marzano
Shibari

Mais tarde Heitor nos apresenta Nefretiti, expert em shibari (a arte japonesa da amarração que não se utiliza de nós, apenas da pressão das cordas) da casa. A mulher de 33 anos – super produzida: um corset super justo, uma cinta-liga preta e uma peruca de femme fatale – não perde uma festa do projeto Luxúria. Ela conta que vai a noites sadomasoquistas como aquela para se divertir e gozar. “Aqui extravaso, brinco, coloco minhas fantasias para fora. É uma TPM [tensão pré-menstrual] ao inverso”.

Ela se envolve de tal forma com o clima da festa que mal consegue se concentrar em nossa conversa. “Aqui não tenho muito tempo para conversar”, diz. Em poucos minutos ela interrompe mais uma pergunta nossa e aborda um cara (tipo magro, cabelo estilo tigelinha que vestia só uma cueca de couro modelo fio dental) que passava ao lado do bar: “Gostei de você. Você vai ser o primeiro que vou amarrar hoje”.

Poucos minutos depois, lá estava ela amarrando-o na grade estrategicamente colocada no salão de baixo da boate. Com suas mãos ágeis, foi envolvendo o corpo do rapaz com a corda, deixando-o quase imobilizado. Ele debruçava o rosto sobre a grade deliciando-se com cada puxão dado por Nerfetite. A habilidade dela com as cordas era incrível. Se não tivesse nos dito que mal enxerga de perto (tem um alto grau de hipermetropia), jamais descobriríamos. “Faço tudo no tato”.

Nefretiti mantém um casamento heterossexual, mas tem trânsito livre com as mulheres. “Gosto de meninas, meninos e turma do meio”, diz com todo o seu bom humor. Ela foi iniciada “formalmente” nas práticas SM pelo marido há dez anos. Aprendeu a técnica shibari. Antes disso, já praticava muita coisa sem dar nome aos bois. Ela conta que aprendeu de uma forma muito natural e por isso mal se lembra como foi. “Se não consigo lembrar quando perdi minha virgindade… quanto mais minha primeira chibatada”.

É uma dominadora típica. Com marido não rola uma relação SM já que ambos são dominadores.  Tem um escravo (que ela chama de servo) e um sissy maid (um escravo que é treinado para ser a mulher da relação).

Ela tenta explicar o complexo jogo de relações entre ela e seus dois escravos. O seu sissy tem a obrigação de limpar e fazer várias tarefas domésticas na casa de sua dominadora, sempre que esta mandar. Como recompensa, sua dominadora pratica a inversão com ele, ou seja, assume a “posição” do homem no ato sexual.

O poder de dominação de Nerfetiti sobre o seu outro escravo é ainda mais curioso. Segundo ela, ele, além de ser casado, é um grande empresário de São Paulo. Por isso, Nerfetiti está treinando-o a não ter razão. Ele está obrigado agora a ligar todos os dias para ela. Os encontros acontecem em média duas vezes por semana. Tudo o que ele fizer tem que ser reportado a Nefertiti. Uma mentira, por mais boba que seja, poderá custar sua coleira – e ela é bem enfática quando fala isso.

“Agora ele está proibido de ter orgasmo”, afirma. Surpresas com tal afirmação, questionamos como ela pode controlar isso. Ela simplesmente diz: “Eu sei… Ele não vai mentir. E, se mentir, estará perdido”.

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